E ele chega a essa idade, justamente na mesma época em que Beth Carvalho está voltando à cena, já recuperada, e quando a Mangueira anuncia seu enredo para o carnaval de 2012, uma homenagem ao Cacique de Ramos. Aniversário do blog, Beth Carvalho e enredo da Mangueira, motivos de sobra, e por isso, “VOU FESTEJAR” reeditando um texto meu, que vem bem a calhar nesse momento.

Quanto mais temporais e tempestades o carvalho
enfrenta, mais forte ele fica! Suas raízes naturalmente se aprofundam mais na terra e seu caule se torna mais robusto, sendo impossível uma tempestade arrancá-lo do solo ou derrubá-lo!
Cada tempestade para um carvalho é mais um desafio a ser vencido e não uma ameaça! - Numa grande tempestade, muitas árvores são arrancadas, mas o carvalho permanece firme!”

Não, não levou uma vida desregrada, nem teve que subir e descer ladeira!
Seu quintal foi o mesmo da bossa nova, a Zona Sul carioca, e ainda menina, sempre sapeca, deu uma volta no “Trem da Alegria”, de onde ouviu-se seus primeiros acordes, nas ondas do rádio. Trem... Rádio... Talento... Essa mistura esquisita só podia dar em samba, e por mais que não quizesse (cismou que era bailarina!) as notas do violão pareciam embriagar-lhe.
Ela foi valente, bem que tentou! Lutou com todas as suas forças contra seu destino.
Menina rebelde!
Menina Beth! Sempre foi do Carvalho!
Mas o banquinho e o violão do "desafinado" João Gilberto acabou sendo a redenção!
É, a rebeldia era tamanha, que tinha que ser pelo desafino, o convencimento de que a música era o caminho a seguir.
E nas “andanças” dessa vida, não teve jeito, teve que subir “1800 colinas”, e chegou no topo, e foi quando entregou-se, corpo, alma, coração e canção, ao samba. Amor à primeira vista, e dele tornou-se a “enamorada”. De roda em roda, de violão em violão, esbarrou com Nelson Cavaquinho, Zé Ketti, e tantos outros, até que do Mestre Cartola, ganhou rosas. Mas essas rosas “não falam, simplesmente exalam” o perfume forte que só nos jardins de Mangueira florescem.
Nascia então um amor que não tem fim.
Desses de novela, com todos os ingredientes de um bom folhetim! Cheio de juras, de promessas, indas e vindas, lágrimas e sorrisos, separação e enfim, reconciliação. Uma hora, sentada à sombra da tamarineira,foi enfeitiçada pelos tambores de um certo Cacique, e com tanto cacife, noutro momento, estava sentada num botequim, e foram tantos os “botequins da vida”, que sem se dar conta, estava já “alta”. E a cabeça girou, “o mundo é um moinho”, e de tanto girar a cabeça e levar requebro aos quadris, rodou o mundo, fazendo o mundo inteiro girar.
E o tempo foi passando, e "folhas secas" caindo ao chão, tal qual rebentos, a chamar-lhe agora de madrinha.
E sob suas bênçãos, o “pagodinho” do Zeca, e de tantos outros partideiros lá do "fundo de quintal", alcançou o estado de graça.
E assim, rodando nas rodas de samba, tal qual bailarina, na ponta dos pés, calçados de chão, que sempre viveu, no meio da gente simples, uma gente orgulhosa de ser "brasileiríssima"
Mas o céu, quando se é estrela, nunca será o limite, e como quem nasce para brilhar, brilha aqui ou em qualquer lugar, seu brilho chegou ao espaço, onde nenhum ser da Terra ousou um dia tocar!
Que “coisinha tão bonitinha do Pai” essa menina! Fez o samba ultrapassar as fronteiras do universo, e há quem diga, que os marcianos (que eu tenho certeza que são verdes, cheios de bolinhas rosas) nunca mais foram os mesmos depois que uma certa semente brotou pelas bandas de lá!
À bela árvore que nasceu, deram o nome de Carvalho!
(Fontes de Pesquisa: Beth Carvalho – site oficial e Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira – site oficial)

O enredo da Mangueira para o carnaval de 2012 “Vou Festejar, Sou Cacique, Sou Mangueira”, já está disponível no site oficial da escola!
Visitem, vocês vão gostar!



